Sempre comento com meus alunos que um dos segredos da música está nas transições.
Estudar um exercício de bateria isoladamente é fundamental para desenvolver determinada habilidade. Porém, é no momento em que conseguimos juntar um exercício a outro que a verdadeira magia da música acontece.
Ao transitar por diferentes exercícios — que podem estar dentro de um mesmo assunto ou fazer parte de contextos completamente diferentes —, o aprendizado musical, o aumento do vocabulário e o desenvolvimento da coordenação começam a se encontrar. É dessa combinação que surge a música.
O exercício não termina quando você aprende a executá-lo
É muito comum, durante os estudos de bateria, concentrarmos nossa atenção em conseguir executar corretamente determinado exercício. Isso é importante, mas existe um passo seguinte que muitas vezes é ainda mais importante: saber fazer a transição entre diferentes ideias musicais.
Quando conseguimos passar de uma figura rítmica para outra, de um padrão para outro ou de uma coordenação para uma aplicação musical, começamos a desenvolver algo que vai muito além da técnica.
Estamos construindo vocabulário musical.
E quanto maior for esse vocabulário, mais ferramentas teremos para utilizar quando estivermos tocando uma música.
Transições de figuras rítmicas
No exercício de hoje, vamos trabalhar uma transição entre figuras de tempo que aparece em diversos clássicos do rock e do pop mundial.
Esse tipo de estudo é muito interessante porque trabalha, ao mesmo tempo, aspectos de leitura rítmica, coordenação e percepção musical.
Mais do que simplesmente conseguir executar as figuras separadamente, o objetivo é aprender a transitar entre elas de maneira natural.
É justamente essa capacidade de mudar de uma ideia para outra que encontramos constantemente nas músicas.
Um exercício pode servir para milhares de músicas
Outro ponto que sempre reforço nas aulas é que, muitas vezes, um único exercício pode ajudar você a tocar milhares de músicas.
Por isso, não devemos olhar para um exercício apenas pelo exercício em si. É importante entender o que ele está desenvolvendo e como esse conhecimento poderá ser aplicado musicalmente.
Um determinado padrão pode aparecer em diferentes músicas, estilos e andamentos. A mesma ideia rítmica pode ser utilizada no rock, no pop, no gospel, no funk, no soul ou em diversos outros gêneros.
O que muda é o contexto em que ela será aplicada.
É por isso que estudar fundamentos de bateria vale tanto a pena. Você não está estudando apenas para conseguir tocar aquele exercício. Está construindo ferramentas que poderão ser utilizadas em diferentes situações musicais.
Técnica, coordenação e musicalidade
Quando estudamos dessa maneira, técnica e musicalidade deixam de ser coisas separadas.
A coordenação na bateria permite executar as ideias. A leitura rítmica ajuda a compreender o que está acontecendo. O vocabulário musical fornece possibilidades. E a experiência de tocar músicas mostra como utilizar tudo isso dentro de um contexto.
No fim das contas, estudar bateria não é simplesmente acumular exercícios.
É aprender a conectar ideias.
É conseguir transitar entre diferentes figuras, padrões e conceitos e, principalmente, transformar tudo isso em música.
E é justamente aí que um exercício deixa de ser apenas um exercício e passa a fazer parte do seu vocabulário como baterista.

O exercício acima é bastante simples mas muito poderoso na sua utilização.
Espero que tenha gostado.

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